Jó 15
Antigo Testamento · Jó, capítulo 15 de 42 · 35 versículos
- 1Então respondeu Elifaz temanita:
- 2Responderá o sábio com ciência vã, E encherá do vento oriental o seu ventre?
- 3Argumentando com palavras que de nada servem, Ou com razões com que ele nada aproveita?
- 4Na verdade tu destróis a reverência, E prejudicas o espírito religioso para com Deus.
- 5Pois a tua iniqüidade ensina a tua boca, E escolhes a língua dos astutos.
- 6A tua própria boca te condena, e não eu; E os teus lábios dão testemunho contra ti.
- 7És tu o primeiro homem que nasceu? Ou foste dado à luz antes dos outeiros?
- 8Assistes no concílio de Deus? Aproprias para ti a sabedoria?
- 9Que sabes tu, que nós não sabemos? E que entendes, que não se acha em nós?
- 10Conosco estão os homens encanecidos e idosos, Mais velhos do que teu pai.
- 11Porventura fazes pouco caso das consolações de Deus, E da palavra que te trata benignamente?
- 12Por que te arrebata o teu coração? Por que flamejam os teus olhos?
- 13De modo que voltas o teu espírito contra Deus, E permites sair as palavras da tua boca.
- 14Que é o homem, para ser puro? E o que é nascido da mulher, para ser justo?
- 15Eis que Deus não confia nos seus santos, E à sua vista os céus não são limpos;
- 16Quanto menos o homem abominável e corrompido, Que bebe a iniqüidade como a água?
- 17Eu to mostrarei, ouve-me; E te contarei o que tenho visto
- 18(O que homens sábios têm anunciado Da parte de seus pais, não o ocultando;
- 19A eles somente pertencia o país, Não havendo estrangeiro algum passado por meio deles):
- 20O iníquo passa em angústia todos os dias, O número dos anos que são reservados para o opressor.
- 21A voz de terrores retine nos seus ouvidos; Na prosperidade lhe sobrevirá o assolador.
- 22Não espera escapar das trevas, E a espada o está esperando.
- 23Ele anda em busca de pão, dizendo: Onde está? Sabe que o dia das trevas lhe está iminente:
- 24O aperto e a angústia o amedrontam; Prevalecem contra ele, como um rei preparado para a batalha,
- 25Porque estendeu a sua mão contra Deus, E com soberba se porta contra o Todo-poderoso.
- 26Corre contra ele com cerviz dura, Opõe-lhe as saliências do seu escudo,
- 27Porque cobriu o rosto com a gordura, E criou carnes grossas sobre as ilhargas.
- 28Habitou em cidades assoladas, Em casas que ninguém habitaria E que estavam prestes a cair em ruínas.
- 29Não se enriquecerá, nem subsistirá a sua fazenda, Nem as suas colheitas serão abundantes.
- 30Não escapará das trevas; A chama secará os seus ramos, E pelo assopro da boca de Deus desaparecerá.
- 31Não confie na vaidade, enganando-se a si mesmo; Pois a vaidade será a sua recompensa.
- 32Ela lhe chegará antes do termo dos teus dias, E o seu ramo não reverdecerá.
- 33Sacudirá as suas uvas verdes como a vide, E deixará cair a sua flor como a oliveira;
- 34Pois a companhia dos ímpios será estéril, E o fogo consumirá as tendas de suborno.
- 35Eles concebem a malícia, dão à luz a iniqüidade, E o seu ventre prepara enganos.
Texto: Tradução Brasileira da Bíblia (1917), em domínio público.