Jó 30

Antigo Testamento · Jó, capítulo 30 de 42 · 31 versículos

  1. 1Agora, porém, zombam de mim os de menos idade, Cujos pais desdenhei de pôr com os cães do meu rebanho.
  2. 2Pois de que me aproveitaria a força das mãos deles? Homens nos quais já pereceu o vigor.
  3. 3De míngua e fome estão emagrecidos; Roem o deserto, desde muito em ruínas e desolado.
  4. 4Apanham malvas junto aos arbustos, E as raízes da giesta são o seu mantimento.
  5. 5São expulsos do meio dos homens, Grita-se atrás deles como atrás dum gatuno.
  6. 6Têm que habitar nos desfiladeiros sombrios, Nas covas da terra e dos penhascos.
  7. 7Zurram entre os arbustos, Estendem-se debaixo das ortigas,
  8. 8São filhos de insensatos, filhos de gente infame; Foram enxotados para fora do país.
  9. 9Agora vim a ser a sua canção, E lhes sirvo de provérbio.
  10. 10Eles me abominam, ficam longe de mim, E não hesitam em me cuspir no rosto.
  11. 11Pois Deus afrouxou a sua corda, e me afligiu, Eles também expeliram de si o freio diante de mim.
  12. 12À minha direita levanta-se gente vil, Empurram os seus pés, E contra mim erigem o seu caminho de destruição.
  13. 13Estragam a minha vereda, Promovem a minha calamidade, Uns homens esses a quem ninguém ajudaria.
  14. 14Como por uma larga brecha entram, Ao meio das ruínas precipitam-se.
  15. 15Terrores me assediam, A minha honra é levada como pelo vento; Como nuvem passou a minha prosperidade.
  16. 16Agora dentro de mim se derrama a minha alma; Apoderam-se de mim dias de aflição.
  17. 17À noite os ossos se me traspassam e caem, E as dores que me devoram não descansam.
  18. 18Pela grande violência do mal está desfigurado o meu vestido: Ele se cola ao meu corpo como o cabeção da minha túnica.
  19. 19Deus lançou-me na lama, E tornei-me como pó e cinza.
  20. 20Clamo a ti, e não me respondes; Ponho-me em pé, e olhas para mim.
  21. 21Tornas-te cruel para comigo, Com a força da tua mão me persegues.
  22. 22Levantas-me ao vento, fazes-me cavalgar sobre ele; Dissolves-me na tempestade.
  23. 23Pois sei que me levarás à morte, E à casa de reunião estabelecida para todo o vivente.
  24. 24Contudo não estende a mão quem vai cair? Ou ao ser ele destruído não dá gritos?
  25. 25Porventura não chorava eu sobre o que estava angustiado? Não se afligia a minha alma pelo necessitado?
  26. 26Esperando eu o bem, veio-me o mal; E esperando a luz, veio a escuridão.
  27. 27As minhas entranhas fervem e não descansam; Dias de aflição me sobrevieram.
  28. 28Denegrido ando, porém não do sol: Levanto-me na assembléia, e clamo por socorro.
  29. 29Sou irmão dos chacais, E companheiro de avestruzes.
  30. 30A minha pele enegrece, e se me cai, E os meus ossos estão queimados do calor.
  31. 31Por isso se trocou a minha harpa em pranto, E a minha flauta na voz dos que choram.

Texto: Tradução Brasileira da Bíblia (1917), em domínio público.