Jó 7

Antigo Testamento · Jó, capítulo 7 de 42 · 21 versículos

  1. 1Não é a sorte do homem sobre a terra a dum soldado? Não são os seus dias como os dum jornaleiro?
  2. 2Como o escravo que suspira pela sombra, E como o jornaleiro que espera pela sua paga;
  3. 3Assim se me fez passar meses de vaidade, E noites trabalhosas me são apontadas.
  4. 4Ao deitar-me, digo: Quando me levantarei? mas comprida é a noite, Estou farto de me revolver até o romper da alva.
  5. 5A minha carne está vestida de vermes e de crostas terrosas; A minha pele solda-se e de novo rebenta.
  6. 6Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, E gastam-se sem esperança.
  7. 7Lembra-te de que a minha vida é vento; Os meus olhos não tornarão a ver a felicidade.
  8. 8Os olhos do que me vê, não me contemplarão mais; Os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais.
  9. 9Assim como a nuvem se desfaz e passa. Assim aquele que desce ao Cheol, não subirá mais.
  10. 10Nunca mais tornará à sua casa, Nem o lugar onde habita o conhecerá jamais.
  11. 11Portanto eu não reprimirei a minha boca, Falarei na angústia do meu espírito, Queixar-me-ei na amargura da minha alma.
  12. 12Sou eu o mar, ou monstro do mar, Para que me ponhas guarda?
  13. 13Dizendo eu: Consolar-me-á o meu leito, A minha cama aliviará a minha queixa;
  14. 14Então me assustas com sonhos, E com visões me atemorizas;
  15. 15De sorte que a minha alma escolhe a sufocação, E a morte antes do que estes meus ossos.
  16. 16Abomino a minha vida; não quero viver para sempre. Deixa-me, pois, porque os meus dias são vaidade.
  17. 17Que é o homem para tu o engrandeceres, E pores nele o teu coração,
  18. 18E o visitares todos os dias, E o experimentares a todo o momento?
  19. 19Até quando não apartará de mim a tua vista, Até quando não me darás tempo de engulir a minha saliva?
  20. 20Se pequei, que é o que te pude fazer, ó vigia dos homens? Por que me puseste como tropeço a ti, De sorte que me tornei pesado a mim mesmo?
  21. 21Por que não perdoas a minha transgressão, E não tiras a minha iniqüidade? Pois agora me deitarei no pó; Tu me buscarás com empenho, porém eu não serei mais.

Texto: Tradução Brasileira da Bíblia (1917), em domínio público.