Marcos 12

Novo Testamento · Marcos, capítulo 12 de 16 · 44 versículos

  1. 1Depois começou Jesus a falar-lhes por parábolas. Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou ali um lagar, edificou uma torre e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para outro país.
  2. 2No tempo da colheita enviou um servo aos lavradores, para receber deles do fruto da vinha;
  3. 3mas eles, agarrando-o, o açoitaram e mandaram embora sem coisa alguma.
  4. 4Tornou a enviar-lhes outro servo; e a este o feriram na cabeça, e o carregaram de afrontas.
  5. 5Enviou ainda outro, e a este mataram; e enviou muitos outros, a alguns dos quais açoitaram e a outros mataram.
  6. 6Restava-lhe ainda um, o seu filho amado; a este enviou por último, dizendo: Terão respeito a meu filho.
  7. 7Mas aqueles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e a herança será nossa.
  8. 8Agarrando-o, mataram-no e lançaram-no fora da vinha.
  9. 9Que fará o senhor da vinha? virá e exterminará os lavradores, e entregará a sua vinha a outros.
  10. 10Nunca lestes sequer esta passagem da Escritura: A pedra que os edificadores rejeitaram, Essa foi posta como a pedra angular;
  11. 11Isto foi feito pelo Senhor, E é maravilhoso aos nossos olhos?
  12. 12Procuravam prendê-lo (mas temeram o povo), porque perceberam que contra eles proferia esta parábola. Deixando-o, retiraram-se.
  13. 13Depois eles lhe enviaram alguns dos fariseus e dos herodianos para o apanhar em alguma palavra.
  14. 14Estes, vindo a ele, disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro, e não se te dá de ninguém; porque não te deixas levar de respeitos humanos, mas ensinas o caminho de Deus segundo a verdade; é lícito ou não pagar tributo a César?
  15. 15Pagaremos ou não pagaremos? Mas Jesus, percebendo a hipocrisia deles, respondeu-lhes: Por que me experimentais? trazei-me um denário para eu vê-lo.
  16. 16Eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam-lhe: De César.
  17. 17Disse-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Admiravam-se muito dele.
  18. 18Vieram ter com ele alguns saduceus, homens que dizem não haver ressurreição, e fizeram-lhe esta pergunta:
  19. 19Mestre, Moisés nos deixou escrito que se morrer o irmão de alguém, deixando mulher, e não tiver filhos, seu irmão casará com a viúva e dará sucessão ao falecido.
  20. 20Havia sete irmãos: o primeiro casou-se e morreu sem deixar sucessão;
  21. 21o segundo desposou a viúva e morreu, não deixando sucessão;
  22. 22e do mesmo modo o terceiro; assim nenhum dos sete deixou sucessão. Depois de todos morreu também a mulher.
  23. 23Na ressurreição, quando ressuscitarem, de qual deles será ela mulher? pois os sete casaram com ela.
  24. 24Respondeu Jesus: Não provém o vosso erro de não saberdes as Escrituras, nem o poder de Deus?
  25. 25Pois quando ressuscitarem dentre os mortos, nem os homens casam, nem as mulheres são dadas em casamento; porém são como os anjos nos céus.
  26. 26Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no livro de Moisés na passagem concernente à sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?
  27. 27Ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Estais em grande erro.
  28. 28Chegou um dos escribas e, tendo ouvido a discussão e vendo que Jesus lhes havia respondido bem, fez-lhe esta pergunta: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
  29. 29Respondeu Jesus: O primeiro é: Ouve, ó Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é um só;
  30. 30e amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.
  31. 31O segundo é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
  32. 32Disse-lhe o escriba: Na verdade, Mestre, disseste bem que Ele é um; e não há outro senão Ele;
  33. 33e que o amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de toda a força, e o amar ao próximo como a si mesmo, excede a todos os holocaustos e sacrifícios.
  34. 34Vendo Jesus que ele havia falado sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. Ninguém ousava mais interrogá-lo.
  35. 35Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi?
  36. 36O próprio Davi falou, movido pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-te à minha mão direita, Até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.
  37. 37O próprio Davi chama-lhe Senhor; como é ele seu filho? A multidão ouvia-o com prazer.
  38. 38Dizia-lhes em seu ensino: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, de ser saudados nas praças,
  39. 39e de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes;
  40. 40os quais devoram as casas das viúvas e fazem por pretexto longas orações; estes hão de receber muito maior condenação.
  41. 41Sentando-se Jesus em frente do gazofilácio, observava como o povo deitava ali o dinheiro. Ora muitos ricos deitavam grandes quantias;
  42. 42mas vindo uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valem um quadrante.
  43. 43Chamando seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais no gazofilácio que todos os ofertantes,
  44. 44porque estes deram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, tudo o que tinha para o seu sustento.

Texto: Tradução Brasileira da Bíblia (1917), em domínio público.