Marcos 4

Novo Testamento · Marcos, capítulo 4 de 16 · 41 versículos

  1. 1De novo começou Jesus a ensinar à beira do mar. Reuniu-se a ele uma grande multidão, de maneira que entrou numa barca e sentou-se dentro dela no mar; e todo o povo achava-se na praia.
  2. 2Ele lhes ensinava muitas coisas por parábolas, dizendo no correr do seu ensino:
  3. 3Ouvi. O semeador saiu a semear;
  4. 4quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram-na.
  5. 5Outra parte caiu nos lugares pedregosos, onde não havia muita terra; logo nasceu, porque a terra não era profunda,
  6. 6e tendo saído o sol, queimou-se; e porque não tinha raiz, secou-se.
  7. 7Outra caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram, e sufocaram-na, e não deu fruto algum.
  8. 8Mas outras caíram na boa terra e, brotando e crescendo, davam fruto, um grão produzia trinta, outro sessenta e outro cem.
  9. 9Disse: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
  10. 10Quando se achou só, os que estavam ao redor dele com os doze, pediam a explicação das parábolas.
  11. 11Ele lhes disse: A vós vos é dado o mistério do reino de Deus; mas aos de fora tudo se lhes propõe em parábolas,
  12. 12para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam, para que não suceda que se convertam e sejam perdoados.
  13. 13Perguntou-lhes: Não percebeis esta parábola, e como entendereis todas as parábolas?
  14. 14O semeador semeia a palavra.
  15. 15Os que se acham pelo caminho, onde a palavra é semeada, são aqueles, de quem, depois de a terem ouvido, vindo logo Satanás, tira a palavra que neles tem sido semeada.
  16. 16Igualmente os semeados nos lugares pedregosos são aqueles que, ouvindo a palavra, imediatamente a recebem com alegria;
  17. 17eles não têm em si raiz, mas duram pouco tempo; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam.
  18. 18Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra,
  19. 19e os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça de outras coisas, entrando, abafam a palavra, e ela fica infrutífera.
  20. 20Os semeados na boa terra são os que ouvem a palavra e a recebem, e produzem fruto, a trinta, a sessenta e a cem por um.
  21. 21Continuou: Porventura vem a candeia para se pôr debaixo do módio ou debaixo da cama? não é antes para se colocar no velador?
  22. 22Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada foi escondido, senão para ser divulgado.
  23. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
  24. 24Também lhes disse: Atendei ao que ouvis. A medida de que usais, dessa usarão convosco; e ainda se vos acrescentará.
  25. 25Pois ao que tem, ser-lhe-á dado; e ao que não tem, até aquilo que tem, ser-lhe-á tirado.
  26. 26Disse mais: O reino de Deus é como se um homem lançasse a semente na terra
  27. 27e, dormindo ou acordado de noite e de dia, a semente germinasse e crescesse, sem ele saber como.
  28. 28A terra por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão grado na espiga.
  29. 29Depois de o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.
  30. 30Ainda disse: A que assemelharemos o reino de Deus, ou com que parábola o representaremos?
  31. 31É como um grão de mostarda, que, quando semeado na terra, embora seja menor que todas as sementes que há na terra,
  32. 32contudo depois de semeado, cresce e se torna a maior de todas as hortaliças, e deita grandes ramos, de tal modo que as aves do céu podem pousar à sua sombra.
  33. 33Com muitas parábolas semelhantes dirigia-lhes a palavra, conforme podiam compreendê-la;
  34. 34não lhes falava sem parábolas, mas em particular explicava tudo a seus discípulos.
  35. 35Naquele dia, à tarde, lhes disse: Passemos para o outro lado.
  36. 36Eles, deixando a multidão, o levaram, assim como estava, na barca; e estavam com ele outras barcas.
  37. 37Levantou-se um grande tufão de vento, e as ondas batiam na barca, de modo que ela já se enchia.
  38. 38Jesus estava dormindo na popa sobre o travesseiro; eles o acordaram e lhe perguntaram: Mestre, não se te dá que pereçamos?
  39. 39Ele, tendo acordado, repreendeu o vento e disse ao mar: Cala-te, emudece. Cessou o vento, e houve grande bonança.
  40. 40Então lhes perguntou: Por que sois assim tímidos? como é que não tendes fé?
  41. 41Eles, cheios de medo, diziam uns aos outros: Quem, porventura, é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?

Texto: Tradução Brasileira da Bíblia (1917), em domínio público.