Mateus 26

Novo Testamento · Mateus, capítulo 26 de 28 · 75 versículos

  1. 1Tendo Jesus acabado todo este discurso, disse a seus discípulos:
  2. 2Sabeis que de hoje a dois dias celebrar-se-á a páscoa, e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.
  3. 3Depois se reuniram os principais sacerdotes e os anciãos do povo no pátio da casa do sumo sacerdote, chamado Caifás;
  4. 4e deliberaram prender a Jesus à traição e tirar-lhe a vida.
  5. 5Mas diziam: Durante a festa, não; para que não haja tumulto entre o povo.
  6. 6Estando Jesus em Betânia, na casa de Simão o leproso,
  7. 7chegou-se a ele uma mulher que trazia um vaso de alabastro com precioso perfume, e lho derramou sobre a cabeça, quando ele estava à mesa.
  8. 8Vendo isto, seus discípulos indignaram-se e disseram:
  9. 9Para que este desperdício? Pois o perfume podia ser vendido por muito dinheiro, e ser este dado aos pobres.
  10. 10Mas Jesus, percebendo isto, disse-lhes: Por que molestais essa mulher? ela me fez uma boa obra.
  11. 11Pois os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes;
  12. 12derramando ela este perfume sobre o meu corpo, fê-lo para a minha sepultura.
  13. 13Em verdade vos digo que onde quer que for pregado em todo o mundo este Evangelho, será também contado para memória sua o que ela fez.
  14. 14Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, procurou os principais sacerdotes
  15. 15e lhes disse: Que me quereis dar e eu vo-lo entregarei? Eles lhe pesaram trinta moedas de prata.
  16. 16Desde então Judas buscava oportunidade para o entregar.
  17. 17No primeiro dia dos pães asmos vieram os discípulos a Jesus perguntar-lhe: Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa?
  18. 18Respondeu-lhes: Ide à cidade ter com certo homem, e dizei-lhe que o Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a páscoa com meus discípulos.
  19. 19Eles fizeram como Jesus lhes havia ordenado, e prepararam a páscoa.
  20. 20À tarde estava ele sentado à mesa com os doze discípulos.
  21. 21Enquanto comiam, declarou Jesus: Em verdade vos digo que um de vós me trairá.
  22. 22Eles, muitíssimo contristados, começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura sou eu, Senhor?
  23. 23Ele respondeu: O que põe comigo a mão no prato, esse é o que me trairá.
  24. 24O Filho do homem vai-se, segundo está escrito a seu respeito, mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! melhor fora para esse homem se não houvesse nascido.
  25. 25Judas, que o traiu, perguntou: Porventura sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.
  26. 26Estando eles comendo, tomou Jesus o pão e, tendo dado graças, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei; este é o meu corpo.
  27. 27Tomando o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;
  28. 28porque este é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão de pecados.
  29. 29Mas digo-vos que desta hora em diante não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber novo convosco no reino de meu Pai.
  30. 30Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
  31. 31Então lhes disse Jesus: A todos vós serei esta noite uma pedra de tropeço: pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas;
  32. 32mas depois que eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galiléia.
  33. 33Disse-lhe Pedro: Ainda que sejas para todos uma pedra de tropeço, nunca o serás para mim.
  34. 34Declarou-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes de cantar o galo, três vezes me negarás.
  35. 35Replicou-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Todos os discípulos disseram o mesmo.
  36. 36Em seguida foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar.
  37. 37Levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e angustiar-se.
  38. 38Então lhes disse: A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui, e vigiai comigo.
  39. 39Adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou: Pai meu, se é possível, passe de mim este cálice; todavia não seja como eu quero, mas como tu queres.
  40. 40Depois voltou para seus discípulos e, encontrando-os dormindo, perguntou a Pedro: Nem ao menos uma hora pudestes vigiar comigo?
  41. 41Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
  42. 42Tornando a retirar-se, orou: Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.
  43. 43Voltando outra vez, encontrou-os dormindo, porque estavam com os olhos pesados.
  44. 44Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
  45. 45Então voltou para os discípulos, dizendo-lhes: Agora dormi e descansai; está próxima a hora, e o Filho do homem está sendo traído nas mãos de pecadores.
  46. 46Levantai-vos, vamo-nos; pois o que me trai, se aproxima.
  47. 47Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos doze, e com ele uma grande multidão armada de espadas e varapaus, enviada pelos principais sacerdotes e pelos anciãos do povo.
  48. 48O traidor lhes havia dado um sinal, dizendo: Aquele a quem eu beijar, esse é que é; prendei-o.
  49. 49No mesmo instante chegou-se a Jesus e disse: Salve, Mestre! e o beijou.
  50. 50Jesus perguntou-lhe: Amigo, a que vieste? Nisto se aproximou a escolta e, pondo as mãos em Jesus, prendeu-o.
  51. 51Um dos que estavam com Jesus, estendeu a mão, puxou da espada e, dando um golpe no servo do sumo sacerdote, decepou-lhe uma orelha.
  52. 52Então Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que tomam a espada, morrerão à espada.
  53. 53Acaso pensas que não posso rogar a meu Pai, e que ele não me mandará neste momento mais de doze legiões de anjos?
  54. 54Como, pois, se cumpririam as Escrituras que dizem que assim deve acontecer?
  55. 55Naquela hora disse Jesus à multidão: Viestes armados de espadas e varapaus para me prender, como se eu fora salteador? Todos os dias, sentado no templo, eu ensinava, e não me prendestes.
  56. 56Mas tudo isto aconteceu, para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então todos os discípulos o deixaram e fugiram.
  57. 57Aqueles que tinham prendido a Jesus, levaram-no à casa de Caifás, sumo sacerdote, onde se haviam reunido os escribas e os anciãos.
  58. 58Pedro, porém, o ia seguindo de longe até o pátio da casa do sumo sacerdote e, entrando, sentou-se entre os oficiais de justiça para ver o fim.
  59. 59Os principais sacerdotes e todo o sinédrio buscavam algum falso testemunho contra Jesus, para o entregarem à morte;
  60. 60e não o acharam, não obstante se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas afinal compareceram duas, afirmando:
  61. 61Ele disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.
  62. 62Levantando-se o sumo sacerdote, perguntou: Nada respondes? que é o que estes depõem contra ti?
  63. 63Jesus, porém, conservou-se calado. O sumo sacerdote disse-lhe: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.
  64. 64Respondeu Jesus: Tu o disseste; contudo vos declaro que vereis mais tarde o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.
  65. 65Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou: acabais de ouvir agora mesmo a blasfêmia;
  66. 66que vos parece? Responderam eles: É réu de morte.
  67. 67Então uns lhe cuspiram no rosto e lhe deram punhadas, e outros o esbofetearam,
  68. 68dizendo: Adivinha-nos, ó Cristo, quem é o que te deu?
  69. 69Entretanto Pedro estava sentado fora no pátio; e uma criada, aproximando-se, disse-lhe: Também tu estavas com Jesus o Galileu.
  70. 70Mas ele o negou diante de todos, exclamando: Não sei o que dizes.
  71. 71Saindo para o alpendre, uma outra viu-o e disse aos que ali se achavam: Este também estava com Jesus o Nazareno.
  72. 72Outra vez Pedro o negou com juramento: Não conheço esse homem.
  73. 73Logo depois se aproximaram de Pedro os que ali estavam e disseram-lhe: Também tu és certamente um deles, pois até a tua fala o revela.
  74. 74Então começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem. Imediatamente cantou o galo.
  75. 75Pedro lembrou-se das palavras que Jesus proferira: Antes de cantar o galo, três vezes me negarás; e saindo dali, chorou amargamente.

Texto: Tradução Brasileira da Bíblia (1917), em domínio público.